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HUMANO CANTO

Enviado por Hideraldo Montenegro em 22/06/2010 às 18:02
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PERSPECTIVA

 

Mas, não pensem vocês que vou me entregar fácil.

Meus pés ainda coçam percursos

e estradas se insinuam e desenham os seus traçados

Volto como se estivesse indo. Vou como estivesse voltando.

E refaço o trajeto em meus pés

mapeando histórias de idas e vindas

 

Tudo requer seu passaporte

e pago minha passagem

por esta vida

e durmo sobre travesseiros duros

de viajar minh’alma

 

Olho para o horizonte

que sempre está aos meus pés

e não consigo enxergar além

de mim mesmo

-este cemitério de paixões

loucas, atrevidas -

covas fundas

que vou cavando na vida

 

Um canto demasiadamente humano

 

Arrecadei um tempo para maturar os sons e os sentidos do Humano canto, de Hideraldo Montenegro: um pernambucano, natural de Moreno, que se reconhece aprendiz no universo da poesia - seus mistérios e mistificações. Confesso que me surpreendi com a força da palavra do seu livro e não poderia ser diferente; considerando que o poeta sabe, desde sempre, que é preciso estar atento aos movimentos da vida; atento aos sinais da escrita inventiva e sua função social. Um bom exemplo reside no poema Lembranças:

 

Coleciono palavras antigas

e um gosto estranho pelo bordado da caminhada

dos pés estradas pontes rios

 

Graça Graúna

Escritora, Professora universitária

na área de Literaturas de Língua Portuguesa

e Direitos Humanos.

Nordeste do Brasil, 29 de abril de 2009


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